22 de set. de 2015

As carências que damos e as carências que recebemos


Dar amor é diferente de "dar"carência, e eu nem acho mesmo que amor se dá. Amor se demonstra com gestos, atitudes, até com palavras, mas quando se dá muito, passa para outro nível... se dá algo, tanto, para tapar um buraco em si mesmo... dá na medida em que espera ser aliviado com o amor que está entrando no outro, e que por entrar no outro parece entrar em si mesmo. 

Eu venho pensando sobre isso, e sobre as diferenças das demonstrações de afeto. Dos afetos que são tão reflexo de quem fomos, de quem somos, dos companheiros que temos pela vida, os amigos, a família, os amores, as situações que vivenciamos. 

Para ilustrar:
Observo muito as mulheres gestantes e as recém mamães, talvez para ir aprendendo para quando chegar a minha vez...
As mulheres gestantes tem todos os sentimentos do mundo dentro de si, envolvidas pelo romantismo de gerar um novo serzinho e mesmo com as irritabilidades que algumas apresentam, no geral, oferecem sorrisos e carinhos em uma boa medida... elas não estão carentes, estão cheias por dentro. 

Já as recém mamães tem uma rotina de maior carência. Estão com os aprendizados a todo vapor, com as energias sendo utilizadas também a todo vapor, novas situações, novas relações estabelecidas, tudo realmente muito novo. Mas o que me chama atenção é que parece existir um período de vazio dentro delas. Um vazio que precisa ser preenchido de alguma maneira.

O bebê já não é mais quietinho em seu lar quentinho e molhado placenteiro, a mamãe tem além de tudo que é próprio do período, precisa estabelecer uma nova relação com seu parceiro, que muitas vezes não se reconhece nesta nova tríade, mãe/mulher-bebê-papai/homem e muitas ou muitos, ficam aos rodeios de um novo restabelecimento de emoções, outro "ajeitamento" de amor/desejo. Uma coisa é certa, a mulher/mãe, não deve parar de desejar outros objetos de amor além de seu bebê e não deveria também, para a saúde emocional de sua família, tentar suprir isso "dando" afeto enquanto carência, afeto que serve para entrar em seu coração, e não para sair dele, pois passa por um momento de esvaziamento. 


O que quero dizer é que o afeto precisa de medida, Sim, eu super acho isso. Nem muito, nem tão pouco, mas uma quantidade confortável. Talvez se não há medida, é porque tem algum buraquinho do lado esquerdo do peito que precisa ser remendado na mamãe, depois de tantas vivências novas e fortes como a gestação de um bebê. 




17 de ago. de 2015

Quando o olhar é mais importante que ( ... )




Em terra de enxergantes, quem tem um olho muito apurado, pode ver além do necessário.

O olhar é mais do que visão, ele é astuto, o olhar demanda, declara, desmente, mente, traduz. Está as voltas de denunciar o ser que olha.

Tem olho que  demanda ver, saber o que se passa, sem tanto buscar prazer. Já sabe que a visão rima mesmo é com ilusão.

Mas olha-se também para sentir-se visto, este é do tipo narcísico. Mesmo quando olha para o outro, olha mesmo para o espelho. É um olhar para querer ser, tentar ser alguém através do olhar do outro, ou, através do olhar para o outro.








4 de ago. de 2015

O senhor algemado e as conveniências da vida



Bem que Daniele poderia morar mais pertinho, assim eu descobriria mais palavras em bem menos tempo...

Com algumas palavras eu faço um poema,
com alguns poemas um livro, 
com um livro já não tenho mais nada,
pois se o lancei,
já não é mais meu, 
por isso preciso de mais e mais palavras e de um blog para desenterrar de vez em quando. 

Escrever para mim é sempre um exercício de acalmar. Escrevo e me acalmo. 
Nos últimos dias tenho sentido fortes dores de estômago então, vou escrevendo para acalmar os sucos gástricos. 

Assistindo o jornal, hoje pela manhã, e vendo um senhor algemado andando por um corredor que não era de sua casa bonita, eu senti vontade de escrever sobre as conveniências da vida. Palavra que surgiu de uma conversa com Daniele (é claro). A operadora azulzinha que tenha vida longa! 

As conveniências que me desculpem, mas ô lugarzinho pra ter gente a toa (nem todo mundo vai, mas que tem, tem.)
Falo das conveniências, que de tão sociais, me lembram as fortes dores no estômago, de tão ruins. 

Convém obter, mesmo que a força, todo benefício possível? 
Convém, depois de tanto se beneficiar, estar preso? 

O que convém, 
afinal, 
para um sujeito
ilegal:
aparecer, ser visto, 
comprar, ter.
Não convém a ele: ser.
Pois ser preso, 
que conveniente!











12 de out. de 2014

Sobre a loucura...e a perversão. Ou sobre a perversão...e a loucura.

Para não cair na ABSTENÇÃO vou escrever ... 

Discutindo sobre eleições tive um insight que não quis deixar passar em BRANCO, afinal, tem situações em que não dá pra ser NULO...é preciso discutir, falar...se posicionar.

Falar salva..a palavra salva...Eu realmente acredito nisso. Não existe outro motivo para eu ser psicóloga. Dou um lugar para alguém que está no vazio, poder falar. E a fala não assegura nada, apenas um lugar, num determinado horário...têm contingências. Uffa! Ter contingência é sinal de saúde mental. 

Mas ainda bem que meu acreditar está sempre dividido e disso meus colegas da psicanálise entenderão... o sujeito se não é dividido...é louco...ou pode ser também um quase louco, como posso chamar um PERVERSO. 

Me desculpem as palavras utilizadas, hoje não sou psicóloga para falar deste assunto...sou só eu mesma, sem título algum. 

Ademais dos tantos significados para perversão, falo do aspecto de poder de convencimento,  da angariação de pessoal para apoiar, seguir fielmente e ajudar, sem maiores respeitos ou limites aos interesses alheios. 

O perverso diz ao outro: _ Eu tenho tudo aquilo que você deseja! E realmente ele blefa "evidências" de que tem, através de objetos. Dá isso, dá aquilo...oferece sempre...O perverso dá coisas ao outro para que o presenteado pense que está menos vazio e iludido, sente que está mais completo. Como se a completude fosse possível não é mesmo?! 

Mas alto lá...ele dá...mas a cobrança vem em seguida...de alguma maneira o perverso prende o outro. Daí que podemos entender que ele dá muitas coisas, mas ele desconsidera o principal: A vida de cada um é de cada um...e disso surge que cada pessoa precisa de uma coisa diferente. 
E mais que isso, todo mundo precisa de uma coisa só: Ver com os próprios olhos, pisar com as próprias pernas e por aí vai...até poder sentir os próprios sentimentos... é por isso que os consultórios de psicologia tem movimento...num dado momento as pessoas conseguem de uma vez por todas enxergar que precisam sentir os próprios sentimentos, ter os desejos próprios e bancar eles...assumi-los. Mas primeiro precisam de ajuda para vê-los. 

Bem... em dias de política, eu não penso em outra coisa senão esclarecer sobre a LOUCURA e a PERVERSÃO. Porque a lógica me parece que serve:

O louco diz: _Eu sei de tudo! O perverso diz: _Dou-lhe o que você precisa! E nós...pobres e bons neuróticos, as vezes aceitamos as ofertas:_Sim! Quero ser completo! Acredito no que você diz e me oferece! Assim me sinto seguro! 

Mas se não fosse tanto jogo de sedução eu até seria mais dura ao dizer que ao neurótico falta inteligência. Mas não é bem inteligência que falta...é astúcia.

Porque no final de tudo, 
quem precisa aprender a andar com as próprias pernas não pode crer que exista uma solução milagrosa que resolva os problemas assim, somente com um objeto. (Claro que são vários!) 

Sei lá...
que coisa louca e perversa tudo isso...


Ah pessoas estão desconfiadas...deixo um link sobre a abstenção...

que continuem desconfiadas na medida de suas necessidades...

http://www.ebc.com.br/noticias/eleicoes-2014/2014/10/segundo-turno-soma-de-abstencao-brancos-e-nulos-chega-a-277-dos-votos



23 de jun. de 2014

Encontros e despedidas



“Mande notícias do mundo de lá, diz quem fica. Me dê um abraço, venha me apertar. Tô chegando...”

O primeiro blog que fiz tinha como descrição a psicanálise, as letras e a música. Mudei de nome, mais uma vez, e mais outra...ainda não sei bem como chamá-lo...essa coisa de blog é também tão sem contato...fico sem afeto com ele. Mas as vezes quero escrever...e aí volto para a página que é “minha”, tem música, psicanálise, letras, poesias... muita coisa junto. Que nome se dá pra isso?
Voltar nem sempre é bom. Tem gente que luta para não voltar a se comportar como não lhe faz bem. Tem gente que precisa sempre voltar para rever pessoas.
Encaixo-me nesta opção.
Mas, oras, que texto auto-referente. Não sou boa nisso. Gosto de ouvir as estórias de outros, sobre expressar a minha ainda estou aprendendo.
Bem, de repente alguém se identifica, e até gosta um pouco de ficar por aqui alguns minutos, lendo. (...)
Retomando,
é sobre os retornos mesmo que quero escrever. As voltas que precisamos fazer para rever as pessoas. E há tantas músicas sobre isso: “Por isso eu corro demais, só pra te ver ...”; “Um dia te levo comigo e de saudades suas eu não choro mais...”. Cada um deve se lembrar de uma.
Os retornos que nos fazem andar kilômetros e mais kilômetros para um abraço a mais, uma lágrima a mais, um eu te amo a mais. Só mais um, e depois mais um...pra parecer que não tem final e que a gente nem é sozinho mesmo afinal.
Mas tem final. E somos só, afinal.
Neste intervalo todo ao qual chamamos vida, o bom mesmo é ter companhia.  Abraçar a mãe e o pai, os irmãos, a família que mora distante, os amigos. Enfim, as pessoas de uma vida inteira.
...“Melhor ainda é poder voltar quando quero...”

Voltar pode ser até bom,
se é pra ser feliz.

Mãe, 
já tenho saudades!



23 de fev. de 2014

Escrever é preciso...

Ouvi Ferreira Gullar falar sobre Vinícius de Moraes em um destes documentários sobre o poeta (que emprestei da mamãe, é claro!). Entre tantas palavras sobre a intensidade de Vinícius também disse que o escritor quer mesmo é que os sentimentos saiam de dentro dele, ocupem outro espaço que não o interior. O escritor quer é ver esse sentimento fora dele. (risos) Achei curioso o prisma sobre o qual ele nota o exercício de escrever. Mas tive que concordar. Tem dias que é preciso escrever...

Lendo um texto no blog de uma colega, voltei a pensar sobre algo que me veio a mente nesta semana que passou. Essas notícias que vem tomando conta do Brasil, pessoas amarradas por terem sido pegas fazendo algum mal ao outro. Alguns acham correto, outros pensam nos direitos humanos. Acho que a divisão é bem esta. De um lado o direito de ser humano (com um pouco mais de bondade, o mínimo que seja possível) por outro lado a vontade de tirar a dor de dentro de você e colocar em outro lugar, que seja no outro, amarrando o outro. Não só amarram, eu sei, mas prefiro não repetir o que fazem, nem escrevendo. 

Hoje também me dei conta de mais coisas ruins assim, histórias de pessoas comuns, as minhas histórias também. Não são ladrões ou outra profissão parecida ( Eu acho que isso já é um modo de trabalho rs), mas também fazem muito mal ao outro. Coisinhas aqui, coisinhas ali, e vão destroçando um humano qualquer. As vezes avermelham as bochechas, pedem desculpas, mas uffa, só depois. Esse só depois viu...

Daí também me lembrei das faltas que todos temos (Santa psicanálise!) e que também essa eterna criança perversa e polimorfa dos três ensaios sobre a sexualidade insiste em fazer parte da personalidade, mesmo na adulta. Daí que nessas horas que vamos de encontro com essa dor de ver, que as vezes alguém faz algo com o outro, sem pensar no direito de ser humano... aí é que pensar, pensar e pensar faz até bem. A vontade do olho por olho vai diminuindo aos poucos... aí podemos conviver! Aí não precisamos agir tão rápido, nem com tanta raiva, nem com tanta maldade...aí não tem porque tanta ansiedade, tanta depressão, tanto ataque de pânico... aí dá até pra ser um pouco "humano"...embora seja difícil!!

Nisso a psicanálise me faz tirar o chapéu! Poder aprender a pensar ou a escrever o que sente é por assim dizer: Demais!! 

Permita-se pensar, e não precisará amarrar ninguém!

Permita-se escrever, e poderá fazer toda esta troca do estado sólido para o gasoso, com palavras, e até palavras sutis!

Escrever é preciso...

até para viver bem é preciso!











6 de jan. de 2014

Sofá de coisas pequenas!



Que cousa boa,
que maravilha,
uma almofada de pimentinhas,
e floquinhos espumosos.

Aqui quero me sentar,
sim, me sentar para pensar e depois me levantar para a vida!

Que alegria um sofá de coisas pequenas,

pallets, tecidos, costuras, pimentinhas e floquinhos!

Sinta-se!
Sente-se!
Sente, se!
Fique a vontade!

* Talvez ainda vá nele um vernizinho!!


30 de ago. de 2013

_Floreira: floreia em qualquer canto!


Era uma caixa de frutas muito engraçada...



 
...Não tinha cor, não tinha nada...

Bastou um canto para criar! Alguns sprays coloridos para usar...
 
 
 





 
 Um pouco de tinta branca para cobrir melhor a madeira...



 
 Uma idéia daqui, uma idéia de lá, encontramos um tubo de ensaio com tampinha, e pronto, dentro dele uma florzinha (artificial)...


 
Cola quente pra fixar...



 
 
Está pronta nossa floreira de domingo... foi para uma sacada de ap, com buchas e parafusos, fixada na parede...
 
 
 
 
Além de mais colorida, deixou a casa realmente engraçada,
 
pois era feita com muito esmero...
 
 
 


18 de abr. de 2013

Criaduras



Foi uma verdadeira avalanche de araras na cidade nesta semana...No trânsito, no parque...Até então achei que só eu via o espetáculo... 

Um dia depois recebi uma foto do lugar em que trabalho com uma arara pousada em nosso telhado! Que alegria receber essas belezuras tão perto assim...

Precisei ir a um lançamento do livro "Araras da Cidade" recentemente pra me lembrar como elas são divinas...de "lambuja" um cd com as fotos e músicas para acompanhar... o pacote completo! É um trabalho belíssimo... 

Voltando às criaduras, título da postagem, cada vez me convenço mais de que, com arte, pode-se refazer o que internamente está desfeito. Um comentário sobre a saúde indígena e seus altos índices de suicídio, exemplos de atendimentos e ZÁZ (como diria o Chaves) , um ponto de início de mudança: a arte. A arte enquanto sublimação. Vamos lá, tema de mestrado em evidência... ver o que Freud diz sobre isso... 

Pena que a criação em arte também surge de uma dor... por isso digo: Cria dura... é duro abrir o casulo e criar algo... Mas uma hora ele alça vôo... Mas nenhuma borboleta sai do casulo sem estar grudada em algo, ela fica pendurada em um ramo até poder sair dali. Pra mim, esse ramo é a transferência ao analista, é um amigo especial, um amor especial, algo assim, muito especial! 

A criadura vira criatividade (Cria atividade). 

Vamos criar, ativos, algo para o futuro?! 

Criadura? Só por um período... até poder voar! 




4 de mar. de 2013

Palestra: A relação entre pais e profissionais da creche

Inicialmente pensei que seria um tema com pouco a se falar, já que parecia um tanto óbvio que para haver um bom desenvolvimento das crianças na primeira infância, e que estão nas creches, é necessária uma comunicação cuidadosa entre os pais ou responsáveis e os profissionais da creche, que estão com seus filhos durante várias horas ao dia, as vezes até dois ou três irmãos no mesmo lugar e período. 

Besteira minha, era um assunto na verdade encantador. Pensei depois de terminar a palestra: o lado doce da psicologia. 

Um pequeno recorte: 

O sucesso da aprendizagem de seus filhos depende do quanto bom acompanhamento ele teve. Ter um filho é uma escolha, e uma escolha é diferente de uma opção. Agente pode optar por muitas coisas na vida, mas ter um filho é uma escolha porque é uma exigência de cuidado durante praticamente todo o tempo dos pais, ainda mais no início da vida, como são os filhos de vocês nesta fase aqui na creche.  (grifo meu)


O envolvimento de pais e até mesmo da comunidade em geral, junto a uma equipe multidisciplinar é considerado como um componente essencial de uma escola que desempenha seu trabalho com sucesso. ( Este trecho de artigo científico da área)


É claro que eu não deixaria de falar do meu lindo sobrinho que nasceu dia 20/02/13, nem na palestra. Pois vendo os cuidados com ele também aprendo um pouco sobre a psicanálise...


Rian ( Neto do vovô Ivo e vovó Sônia, Filho da Aline e do Taiguara; sobrinho da tia Stela.)

6 de jan. de 2013

As aventuras de Pi

                               


Eu não iria assistir o filme por seu nome, parece tão clichê, logo pensei que seria mais um daqueles filmes que durmo antes da metade, quando a ficção passa dos limites. Mas vejam só, fiquei encantada. A história é de um menino que se sente "estranho" em sua casa, procura todos os deuses possíveis, encontra um amor e precisa se despedir e fica só, com um tigre, após um náufrago, em um barco pequeno.




Em meio a trama, que tem um suspense gostoso de ver, ele encontra um caderno. Ele, o menino, se chama Piscine, por isso Pi. As mostras sobre o nome também são interessantes. Eu quero mesmo é falar deste caderno que é um ítem essencial de sobrevivência para ele.

Em um trecho, ele diz algo sobre a palavra e isso soa um divisor de águas naqueles dias de tormenta.

O menino encontra um caderno e um lápis no kit de sobrevivência. Começa a escrever seus pensamentos. Isso o faz ficar acordado, alerta e com seu raciocínio em atividade. Ele precisava de algo que o mantivesse aceso. Embora tivesse um tigre ao lado, que já era um bom motivo.

Novamente, no trecho sobre a palavra, e vendo a cena em que escreve no caderno, me vem a psicanálise em mente. A palavra para ele foi um ponto de apoio. Ele escreveu várias vezes, até seu lápis acabar...

Muitas vezes é disso que precisamos, falar, falar, colocar a palavra para funcionar, para fora, tirar de dentro, fazer sentido com ela.

Pi chega numa praia do México e no momento em que se separa do tigre, que foi seu companheiro de tantos dias difíceis, ele queria apenas um olhar de despedida, que o animal não dá, segue em frente. O menino queria pelo menos que aquele animal feroz tivesse um pequeno momento de sensibilidade. E no filme há neste trecho algo dizendo que as vezes precisamos apenas deste tempo para nos despedir de algo importante.

É um filme sensível... e isso bastou. A psicanálise ficou por minha conta.

Vale a pena...em 3D.


20 de dez. de 2012

Satisfação em te encontrar



Acho muito bonito quando escuto alguém, de maneira formal e até um pouco tradicional, dizer: É uma satisfação lhe encontrar!

Uma pessoa muito próxima a mim, e que fala bem pouco, diz isso.

Quando vejo esta cena me dá uma sensação boa. Parece que há um encontro ali e quem diz isso fica tão feliz que transporta em palavra.

Eu fico feliz de ver os encontros. Embora hajam tantos desencontros pela vida... como sempre repete minha mãe ( A vida é a arte do encontro. Embora haja tanto desencontro pela vida-Vinícius de Moraes).

Não é fácil ouvir um desencontro na clínica. É difícil... o desencontro é sempre uma perda, uma falta... se revela na briga dos casais, na distância entre amigos e até na tão temida morte. Esta sim é um desencontro fundamental.

Por isso quando ouço alguém comemorar um encontro me dá este sentimento tão bom. E me parece justamente que é a isso que as pessoas tanto procuram. Um bom encontro, um encontro agradável... aquela sensação de ter aproveitado bem seu tempo, com alguém que gosta. Encontrar alguém que te olhe sinceramente e diga "Que satisfação lhe encontrar", "Estou aqui", "Posso lhe dar atenção neste momento", "Estou te ouvindo". Mas isso realmente não se pode pedir.

O ser humano é muito livre para poder dar ao outro justamente o que ele quer, na hora que deseja. É preciso esperar, ter calma, deixar passar o tempo. Até que o outro possa lhe encontrar também. Pode não ser aquela pessoa que você espera que lhe encontre, mas pode ser outro. E um outro encontro também pode ser tão bom quanto, não?!

 Este é o segredo em conseguir lidar com as perdas?!

Opa, alguém acabou de vir ao meu encontro. Uma amiga com uma mensagem de bons desejos. É minha oportunidade de tentar encontrá-la mais tarde, ela é uma ótima companhia. Mas... só se ela também puder. Senão preciso esperar.

É isso não é?! É preciso esperar... mesmo porque qualquer companhia se tem por aí, a todo momento. Nos bares, nas festas... muita gente tentando se encontrar.

Ontem encontrei uma boa amiga, que mora tão longe. Foi tão bom ter este encontro com ela. Eu estava cansada ontem, precisava comprar presentes de natal, organizar minha casa, fazer fichamentos, dissertação de mestrado...enfim... eu queria mesmo era encontrá-la.

Mas, voltando à satisfação. Não é essa sensação de ter encontrado um bom objeto, que não é um objeto real, uma coisa, um iphone ( como brincávamos ontem comendo sushi, que os pais hoje em dia dão todos ais que existem aos filhos, iphone, ipad... por aí vai, nem sei escrever essas coisas rs). Não são estes objetos que irão satisfazer, eles na verdade irão insatisfazer. Fazer querer mais.

Um bom objeto neste caso, é o outro, uma outra pessoa que também possa lhe encontrar naquele momento de sua vida.  Uma pessoa que esteja cá tão tranquila com suas coisas, que pode lhe olhar com calma, lhe ouvir, lhe contar ...  Só quem está bem assim pode dizer: "É uma satisfação lhe encontrar".

E não há choro, dor, doença, angústia, iphone ou facebook que faça isso mudar. O outro só pode se satisfazer com sua presença no momento que ele puder. É preciso buscar outras fontes de satisfação mais duráveis. Um novo conhecimento, um instrumento, uma habilidade, um esporte, um novo trabalho... algo que fique dentro de você, que faça parte de sua vida. Quem sabe assim, com um vazio menor dentro de si, possa deixar que outro lhe encontre e lhe dê um pouquinho de satisfação. Um pouquinho só, pois muito é impossível ou insuportável. Está aí a barra, a interdição a que o sujeito precisa lidar. O sujeito não pode nada demais:
Demais: excessivo
Demais: indiferente ( por demais)

Há uma costura nisso tudo que é possível.

Mas neste significado é possível:

Dê mais: significado de dar mais, fazer mais por algo. O que também se faz em análise.




VII
Toda vez que encontro uma parede
ela me entrega às suas lesmas.
Não sei se isso é uma repetição de mim ou das
lesmas.
Não sei se isso é uma repetição das paredes ou
de mim.
Estarei incluído nas lesmas ou nas paredes?
Parece que lesma só é uma divulgação de mim.
Penso que dentro de minha casca
não tem um bicho:
Tem um silêncio feroz.
Estico a timidez da minha lesma até gozar na pedra.
Manoel de Barros )




6 de dez. de 2012

Como eu digo ao outro o que penso?

A cada novo texto eu fico mais encabulada de estar escrevendo coisas tão misturadas. Uma coisa que alguém disse, algo que ouvi na clínica e pronto, vem uma idéia toda misturada. 

Nos treinamentos da área de RH nós trabalhamos com a comunicação. Dizemos às pessoas que o tom que se diz e a escolha das palavras influencia em como o outro vai entender aquilo. É isso mesmo, o sentido é este. Mas utilizamos isso de forma muito prática, racional. E as pessoas não absorvem isso assim, de cara, é algo muito mais complexo. Precisa de tempo. Por isso não faço treinamentos somente, é preciso mostrar com várias atividades isso. Estou falando disso nas empresas. Por isso fazemos atividades de endomarketing, comemorações nas datas festivas, integração entre os setores...etc. Tudo para também se ensinar a comunicar-se com o outro, de forma não agressiva, mas sim assertiva. Isso é um trabalho de anos nas empresas...

Bom, mas queria dizer mesmo sobre a forma como dizemos as coisas...na empresa levamos anos para tratar isso, na clínica também... muitos anos...

Hoje vi uma crítica a Oscar Niemeyer. No dia de sua morte.

?????????

Só posso dizer: Opiniões sim, muitas e cada um com a que quiser. 
Mas que isso? 
Que crueldade é essa? Ou, que ser primitivo é esse? Que não pode pensar no outro, num momento tão difícil como é a morte? 

Ahhh... se ele ouvisse o que ouço na clínica...

Se ele soubesse do sofrimento humano...

Diria as coisas de forma mais amena, mais oportuna... o sofrimento humano pode ser também prevenido... não é necessário incentivá-lo com palavras duras...

Como eu digo ao outro o que penso? 




4 de dez. de 2012

Tente fazer algo

Curioso como as palavras tem tantos sentidos

Me pego pensando nesta= Tentar.
Me pego tentando entender esta e como as pessoas a utilizam.

Uma amiga me deu um exemplo engraçado esta semana. Estava me explicando sobre uma conversa com uma outra pessoa, em que tentavam entender algo sobre uma relação conjugal. Numa parte ela deu este exemplo: TENTE me dar este chinelo! E sua amiga a ajudava a entender que algumas vezes, dependendo do momento de uma relação, ou de uma vida, não se pode apenas TENTAR. É preciso fazer, ser certeiro, afirmativo, imperativo. Como se dissesse: Quem TENTA me dar um chinelo nunca consegue.

Achei simples e interessante! Uma boa analogia pra mim que as vezes preciso de criatividade para lidar com as resistências no consultório. E nem sempre consigo... as pessoas são muito, MUITO resistentes. Bom, mas este é o assunto que estou escrevendo na dissertação do mestrado, resistências. Cortes as vezes bruscos que pacientes fazem antes de deixar que algo faça sentido... isso ainda me angustia muito. Por isso estudo a transferência...

Agora, TENTAR também tem um outro lado, um outro significado. Quando dizemos a um paciente: TENTE, FAÇA MAIS, VÁ UM POUCO MAIS... é uma outra maneira de TENTAR.
É um TENTAR alcançar.

Este sentido eu gosto! Nossa, como ele é útil!

O desejo precisa de tentativas para se encontrar... é preciso TENTAR...quantas vezes preciso... uns precisam menos, outros mais... mas eu vejo como uma ótima forma de sair da reclamação, da dor, do sofrimento, do medo.... TENTANDO.

Tem pessoas que precisam de um: Se continuar só TENTANDO nunca vai conseguir chegar lá!
Para outros é necessário: Você está quase lá... continue, TENTE mais... Saia de trás da cortina, entre em cena... apareça, faça!

Em Lacan podemos entender a primeira frase para o obsessivo, ele TENTA alcançar o desejo e não o pega, escapa de suas mãos, é impossível. E a segunda frase para o sujeito histérico, que alcança seu desejo, mas precisa caminhar mais e mais para entendê-lo e apropriar-se dele, é insatisfeito.

É tão bom ver alguém TENTAR... quem tenta não está no nada... no vazio...




20 de nov. de 2012

Bolero de Ravel

Curioso como os significados vão criando forma. Para isso é preciso muita associação, dias e dias de intensa pesquisa do inconsciente.

A psicanálise nos ajuda nisso. E o sentido inconsciente é este que quando surge, dá lugar a uma transformação. Algo que era, já não é mais, vira outra coisa, tem outro sentido... e isso muda a vida do sujeito. Minha pesquisa de mestrado tem a ver com esta transformação, a sublimação. A música é uma destas formas.

Então, voltando ao Bolero de Ravel, pesquisando sobre a música encontrei que é uma melodia repetitiva e uniforme, mais especificamente: " tem um ritmo invariável, com a duração teórica de catorze minutos e dez segundos. Deste modo, a única sensação de mudança é dada pelos efeitos de orquestração dinâmica, com um crescendo progressivo e uma curta modulação em mi maior próxima ao fim, mas retorna ao dó maior original faltando apenas oito compassos do final. " (Fonte wikipédia)

Estou sempre tentando unir as semelhanças dos conceitos que vem da música, e os da psicanálise, e na primeira aula de história da música que assisti semana passada, a todo momento eu pensava: parece que estou numa aula de psicanálise, mas com outros nomes de conceitos, porém,  a mesma estrutura e funcionamento. Era uma aula sobre história da música grega, com as evoluções do significado da música entre os séculos IV até IX.

Pra mim é interessantíssimo pensar nestes significados parecidos...

Não é semelhante?

o sujeito é esta melodia repetitiva, 
não uniforme...
mas tem um ritmo invariável, uma repetição que sempre retorna afim de fazer outro sentido...

a sensação de mudança é dada pelas escolhas que vão surgindo e , passando por elas, o sujeito pode entender se é este seu desejo ou não, se ainda é outro... e outro... até que UM faça sentido.

Como li no meu inseparável Manoel de Barros, poesia completa, "Porquanto como conhecer as coisas senão sendo-as?" JORGE DE LIMA.

Isso não é lindo?!

A música e a psicanálise tem este poder de encantar, dar um sentido além... 


5 de nov. de 2012

Muita música pra contar...


Não havia me interessado a conhecer João Pessoa, na Paraíba... é claro, eu não sabia que ia encontrar tanta música por lá.
Alguns dias antes de ir, fiquei sabendo que lá tinha um por do sol na praia do Jacaré, ao som do bolero de Ravel. Segue o vídeo com a entrevista do músico. http://www.youtube.com/watch?v=LAUf1O_Ghhk&feature=related. Essa notícia já me deixou animadíssima. Havia algo para mim naquele lugar desconhecido. O guia que nos recebeu no aeroporto chamava-se Mozart! Pensei: Pronto... é aqui! (risos)

Na verdade eu pensei isso mesmo, mas foi só uma forma engraçada de saber como eu iria me divertir ali, pois praia e sol já estavam garantidos, e eu queria mesmo descansar. 
Na primeira noite, quarta feira, visitamos um show que realizam para turistas chamado by night... música, música e música. Regional, brasileira...posso dizer que iniciamos com chave de ouro. Quinta e Sexta eram os dias de conhecer as praias do Sul e Norte. Praias lindas. Vale a pena!
A noite, para não ser diferente encontramos dois bares a beira mar, com música boa e de muita qualidade. Fiquei surpresa em ouvir bossa nova, MPB da boa... dá vontade de falar como os argentinos quando conhecem algo assim a primeira vez e dizem: Encantada!!! 
Eu já estava encantada... 
E então fomos para o entardecer na praia do Jacaré. As 17h o bolero começou... nós choramos, eu, meu pai e minha mãe... muito emocionante. Não sei quantas pessoas pararam para ouvir aquele momento. Na foto abaixo aparece um pouco... todos param... para ouvir aquele homem, em cima de um barco pequeno e singelo, tocar maravilhosamente bem, enquanto o sol se põe. Essa palavra: singelo, significa tanto pra mim...e olha que fui e voltei agarrada no livro do poeta das insignificâncias, Manoel de Barros.  
Enfim, a noite acabou ao som do violino de Belle Soares, uma menina, digo, nova, quase da minha idade talvez... pode?! Eu trouxe um CD autografado claro...  Aliás, que coisa arretada é essa, q esses meninos já são músicos tão cedo?!?!?!?!

Acho que de tudo o que fez mais sentido foi que a poesia anda por lá assim, de canto em canto... numa tarde simples agente pode ouvir Sax, Violino, MPB... é uma magia sem fim...



Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira. Manoel de Barros-Livro sobre nada. 

16 de out. de 2012

Chega de saudade

Canção de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes, nesta ordem, escreveram música e letra.

Por coincidência encontro esta descrição da música, após semanas tentando encontrar um novo título para meu blog, que demonstrasse melhor o que desejo neste momento: psicanálise, música e letras... letras de músicas, letras de poesias, todas palavras enfim que não definam as coisas e muito menos as pessoas, mas que sejam espaços para transformar.

Voltando à minha pesquisa sobre a música Chega de saudade, que é a peça que escolhi para o recital de final de ano, foi tecida nos anos 50 e gravada pela primeira vez em 58, na voz de Elizeth Cardoso, com arranjos de Jobim e violão de João Gilberto.

É o primeiro registro fonográfico da Bossa Nova!


A partitura original que está no fundo do blog é desta música...


Eu, que ainda nem conheço o Rio de Janeiro e nasci em 1985, escolho esta como minha primeira música, porque na verdade devo ter escutado-a desde muito cedo, no colo da mamãe me embalando no meio das serestas entre amigos...

Apreciem...
Belíssimo vídeo de apresentação da música : http://www.youtube.com/watch?v=P0MwdoysryY&feature=related





25 de abr. de 2012





Canto para afastar o espanto dos dias que correm quase sem poesia


Canto como acalento da noite que cai, já sem alento


Canto para fazer rima e abandonar a sina de viver seriamente


Assim, quem sabe, de repente, surja um motivo, um sentido, um poema belo, terno, simples...


apenas poesia..

24 de abr. de 2012

Amêndoas


  


Amêndoas






Sempre me perguntei qual seria a real graça das amêndoas...
Tanta gente gosta ...
O nome? Que soa carinhoso (parece uma palavra cantada aamêêênnndoaasss)
O preço? Característica de pouca valia para uma poesia.
O gosto? Este sim. O gosto pode ser um bom motivo.
Mas a cor...

a cor é o que há de mais belo na amêndoa, e agora me dei conta de que tenho um jogo de jantar de cor amêndoa. Faz tempo que gosto de amêndoa e não sei?

Tem coisas que só descobrimos quando temos contato no real...Hoje vi uns olhos que pareciam duas amêndoas, amêndoas doces e claras...

E que amêndoas!!! Daquelas que ficamos com o sabor ( neste caso, o sabor do olhar) para sempre na lembrança

20 de mar. de 2012

Exposição surpreende com os jovens da arte contemporânea do Centro-Oeste ( fonte: www.campograndenews.com.br)




É arte contemporânea. Praticamente inexplicável. Se fosse possível explicá-la já não seria mais arte, não a contemporânea. “Seria representativa. Arte contemporânea não apresenta. Ela representa”. A explicação, que parece confusa, é do artista plástico goiano e curador independente Paulo Henrique Silva, de 33 anos, que trouxe a Campo Grande a mostra itinerante “Dialetos” – uma exposição sobre a relação homem-universo.
Instalada no Marco (Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul), a exposição será aberta à visitação nesta terça-feira (19), às 19h30. Ao todo, 20 artistas participam da mostra, sendo 8 campo-grandenses, 4 vindos de Brasília (DF) e 8 de Goiás (GO).
Paulo Henrique explica que a mostra fala das relações dialéticas entre universo único, que é o mundo, com o homem que pode ser vários. Os trabalhos, conta o artista, também remetem aos problemas sociais. “É universal, mas cada um fala a sua maneira”, disse.
Da séria "Os fantasmas que habitam as casas modernistas. Desenho digitalizado impresso em vinil sobre PVC. (Foto: João Garrigó)
“Às vezes ele [o artista] está discutindo a mesma coisa que o outro do Distrito Federal, de Campo Grande, mas se apropria de signos de sua linguagem local”, completa.
A exposição foi dividida em duas partes. A primeira comporta trabalhos de pintura e instalações. Na outra, na sala ao lado, ficam as pinturas e os registros fotográficos.
As novas alternativas artísticas vão surgindo obra a obra, em mesclas como desenho em nanquim, mais intervenções digitais.
A mostra está aberta ao público de terça à sexta-feira, das 12h às 18h. Sábados, domingos e feridos, o espaço é aberto das 14h às 18.
Valorização – A idéia de trazer uma exposição de arte contemporânea para Campo Grande não foi por acaso. Pedro Henrique esteve na cidade em outubro do ano passado. Foi um dos membros de comissão julgadora na abertura do salão de arte no Marco.
Obra do Campo-Grandense Evandro Prado. “Remete à arquitetura religiosa, especialmente móveis litúrgicos”. (Foto: João Garrigó)
“Ela surgiu da necessidade de intercâmbio entre os principais pólos de arte contemporânea do país”, disse. “Percebi as vitrines precisavam se movimentar”.
Sobre a produção artística em Campo Grande, o artista prefere dizer que “está dando passos certos a um rumo correto”, mas seria interessante se houvesse “residências artísticas” com uma perspectiva para contribuir com a produção local.
Por fim, elogiou o Museu de Arte Contemporânea. “De todos os espaços que já usei com a mostra, vocês têm a melhor estrutura”, avaliou.
Destaques Regionais – Entre as obras de artistas Campo-Grandenses, destaque para duas. A primeira, de série “Catedral 2011”, do artista plástico campo-grandense, Evandro Prado. Uma oxidação de pregos sobre tecido com 280 x 330 cm de dimensão.
“É um trabalho marcado pela influência religiosa. Ele se apropria dos elementos religiosos, especialmente católicos, para discutir questões sociais”, explicou o curador da mostra.
A pintura de Evandro Prado, segundo o organizador, proporciona movimento em uma perspectiva tridimensional e escultórica, isto porque a obra é em “tecidos soltos” e não contida em moldura, como as demais.
“Remete à arquitetura religiosa, especialmente móveis litúrgicos”, comenta. “As pessoas param para ver e tentam montar o quebra-cabeça”, acrescenta.
Priscilla Pessoa também foi citada pelo curador. A artista plástica leva à mostra três quadros: “Grupo dos 4”, “Úrsula” e “Tereza”. Este último, um tanto quanto ousado, não pela obra, mas pela proposta da artista. “É uma mulher tendo um orgasmo”, revela.
“Ela [Priscilla Pessoa] trabalha com a iconografia cristã e mescla o antigo e o atual”, revela. A ousadia, segundo Pedro Henrique, está justamente aí. Abordar um tema que praticamente é condenado pela igreja.
“Um dos objetivos da arte contemporânea é não fechar conceitos. Isso é arte contemporânea”, finaliza o curador.
Serviço – O Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul está localizado na Rua Antônio Maria Coelho, 6000, no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande.
Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (67) 3326-7449.





http://www.campograndenews.com.br/lado-b/artes/exposicao-surpreende-com-jovens-da-arte-contemporanea-do-centro-oeste