Nádia P. Ferreira cita vários textos de Freud, além das abordagens sobre o amor neles encontradas. Assim, no texto sobre o narcisismo (1914), são descritas noções de equivalência e desequilíbrio energéticos e a relação destas com a escolha do objeto amoroso. As escolhas poderiam ser então narcísista ou anaclítica. Na primeira, o modelo utilizado é a imagem de si mesmo, já a anaclítica forma-se com modelos das funções materna e paterna.
Em A psicogênese de um caso de homossexualismo numa mulher (1920), Freud afirma que a escolha de objeto apresenta uma relação complexa e não-coincidente. Retomando então o texto de 1914, aqueles que renunciam a uma parte de seu narcisismo lançam-se em busca do amor , transferindo seu próprio narcisismo ao objeto amado. Na escolha anaclítica a origem desta está na idealização, onde as qualidades do objeto são exacerbadas. O objeto amado é colocado no lugar de ideal do eu.
Enfim, o amor fixa-se em certas representações, retornando o sujeito às fantasias, assim como também as pulsões, citadas no texto As pulsões e suas vicissitudes, onde Freud descreve que o amor remete ao auto-erotismo, período mais arcaico da história de todo ser humano.
Este retorno às fantasias também é descrito quanto ao amor de transferência, aquele que, segundo Lacan, há quando supõe-se um saber à outra pessoa, mais especificamente, a suposição de um saber sobre si mesmo no outro. Continuando com Lacan, é no contexto do retorno à teoria freudiana que ele identifica uma diversidade de amores. Se Freud se dedica mais ao amor como função de idealização, Lacan remete a este como função de sublimação.
O amor como paixão imaginária é definido como um amor que deseja ser amado, visando então o aprisionamento do outro. O apaixonado quer ser amado por tudo, suas súplicas e dores não têm limite. A posição do outro no amor-paixão é a de objeto vestido pelas fantasias do amante. Já o amor como dom ativo visa o outro como ser, que, para Lacan, é amar um ser para além do que ele parece ser, por isso aceita os erros e fraquezas do amado. Este então é o amor como sublimação.
No Seminário 7 é descrito o amor cortês, em que sua característica fundamental é o objeto amado ser inacessível- amor impossível. Sustenta-se na beleza de uma imagem que causa desejo (agalma). Neste se constrói uma organização do significante conduzindo à inibição da sexualidade e à representação da mulher como enigma indecifrável. No amor cortês, amar é renunciar ao objeto amado, amar o amor e seus elementos são o sujeito (amante), objeto (amado) e mais além do objeto ( a falta). É uma maneira refinada de suprir a ausência da relação sexual.
Finalizando, é citado o amor com tragédia, representado por Antígona. Ao passo que toda a trama vem significar o amor como suplência ao real. O amor que se sustenta em um desejo, dirigido a um objeto perdido, situado para além do bem e do mal. Este também como função de sublimação.
Embora demonstrando tantas compreensões da psicanálise sobre o amor, a autora refere que muitos séculos antes do nascimento da psicanálise já se produzia um saber acerca do amor e do mistério indecifrável do Outro-sexo, além da constatação de que a todos os amores, seja como função de idealização ou sublimação, o traço comum é o sofrimento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Não esqueça de deixar seu nome...